O Seminário de Estudos Medievais (SEM) – Edição de 2026, dedicado, no 2.º semestre, ao tema “A guerra na Idade Média”, conta na sua segunda sessão com uma conferência proferida pelo especialista João Rafael Nisa , investigador do Centro de História da Sociedade e da Cultura (CHSC – Universidade de Coimbra), intitulada «Não como sua natureza requeria»: a mulher e experiência da guerra no Portugal medieval.

A sessão terá lugar no dia 06 de outubro (terça-feira), às 16h00, em formato webinar.

Resumo

A guerra na Idade Média, enquanto fenómeno social eminentemente masculino, apresentava um retrato belicista onde o guerreiro ocupava o papel central. Ainda assim, e enquanto fenómeno totalizador, implicava que toda a sociedade fosse afetada pela sua atividade, incluindo as mulheres.

Embora surjam, com elevada frequência, no papel de vítimas, acentuado pela exposição a crimes de natureza sexual, esta visão redutora da figura da mulher tem vindo a ser rebatida nos últimos anos. Surgem nos arraiais a cuidar dos feridos, no topo das muralhas a repelir o inimigo, funcionam como agentes de guerra e de paz, como líderes militares, e, não raras vezes, encontramo-las na linha da frente do combate.

Nesta apresentação procura-se perceber qual a relação entre a mulher e a guerra no Portugal medieval, anotando as suas particularidades, bem como as dificuldades no seu estudo.

Sobre o orador

João Rafael Nisa é doutorando em História Medieval na FLUC e professor assistente convidado na mesma instituição, onde leciona História Militar e História da Idade Média. É autor de várias publicações e comunicações sobre História Militar Medieval, na Europa e nos EUA. É igualmente colaborador do Centro de História da Sociedade e da Cultura (CHSC-FLUC), e investigador da Rede Nemus (Network for the Environment in Medieval Usages & Societies) e do projeto internacional “Cultura de la violencia, conflictividad y cambio social en la Castilla bajomedieval (siglos XIII-XV)”, da Universidade do País Basco.