A investigadora do IEM Filipa Lopes iniciou este mês o seu contrato no âmbito do Concurso de Estímulo ao Emprego Científico Individual (CEEC) da FCT para desenvolver o projeto “Gatekeepers of Evidence, Memory and Power: Reconstructing Contexts of Lay Documents in Monastic Archives in the Northwest Portuguese Region (11th-14th Centuries)”.
A investigação centra-se nas práticas de gestão e transmissão documental da aristocracia laica portucalense e portuguesa antes da constituição dos arquivos familiares associados à formação ou consolidação de senhorios e vínculos. O estudo incide particularmente sobre o papel das instituições monásticas enquanto depositárias privilegiadas desses documentos, abrangendo o Noroeste de Portugal (no território pertencente às antigas dioceses de Tui, Braga, Porto, Lamego e Viseu), entre o século XI e os inícios do XIV.
A partir da análise de fundos de instituições eclesiásticas (documentos avulsos e cartulários), o projeto procurará reconstituir os contextos de produção e uso desses documentos, examinando de que forma refletiam as dinâmicas de poder e as estruturas sociais da época. A relação de patronato entre a aristocracia e as instituições eclesiásticas surge como eixo interpretativo central, articulando a gestão da memória escrita com as estratégias de afirmação social e política das elites. O estudo incluirá igualmente a história custodial desses documentos, procurando compreender os critérios que presidiram à sua seleção e conservação pelos arquivos monásticos ou de outras instituições eclesiásticas.
Com a duração de 36 meses, o projeto prevê, entre outros resultados, a descrição arquivística dessa documentação em software especializado, a criação de um mapa interativo de acesso público e a organização de um workshop internacional sobre práticas arquivísticas laicas e monásticas no período em estudo.