Suplantar ilegitimidades: os recursos materiais e simbólicos de D. Jorge, 2.º duque de Coimbra, e de D. Jaime, 4.º duque de Bragança
Resumo
No final da Idade Média, a emblemática ganhou relevo como instrumento de afirmação do poder dos príncipes e, de igual modo, como elo visual de ligação destes com os círculos de familiares e cortesãos que os rodeavam. A presente comunicação pretende dar destaque a dois casos exemplares de emulação da emblemática régia.
Por um lado, o de D. Jorge, segundo duque de Coimbra: tanto as suas armas como a sua empresa estabelecem uma relação privilegiada com as de seu pai, o rei D. João II, e com a emblemática das ordens militares de que era mestre. D. Jorge vincava assim a sua qualidade de único descendente deste rei e de detentor de vastos recursos patrimoniais e simbólicos, procurando reforçar a sua imagem de membro da Casa Real.
O segundo caso prende-se com D. Jaime, quarto duque de Bragança, restaurado que foi nesta dignidade e nas respectivas possessões pelo rei D. Manuel I. Também D. Jaime pôs em prática uma aproximação à emblemática régia, abandonando as armas tradicionais de sua Casa, e adoptando ainda uma empresa que reforçava a sua ligação com o soberano.
Em ambos os casos se descortina, portanto, uma estratégia visual de emulação dos emblemas heráldicos e para-heráldicos dos reis, com o fito de assinalar a proximidade, o valimento e mesmo eventuais direitos de sucessão à Coroa.
