O vínculo do mês de julho é dedicado ao morgadio de Gonçalo Gil Barbosa e Mécia Mendes de Aguiar.
O morgadio de Gonçalo Gil Barbosa e Mécia Mendes de Aguiar foi instituído em Santarém em 1507.

A iniciativa “Vínculo do Mês”, em colaboração com Engenheiro Francisco Paiva Calado e com a Família Paiva Magalhães, apresenta o morgadio de Gonçalo Gil Barbosa e Mécia Mendes de Aguiar, instituído em Santarém em 1507.

Embora não totalmente desconhecidos, os dados a respeito das origens sociais do casal instituidor apontam para que fossem oriundos de ramos secundários de famílias fidalgas do Norte, entretanto fixadas em Santarém. Consideradas de média-baixa nobreza, as gerações futuras desempenharam cargos na administração local, tal como Gonçalo Gil Barbosa, cujas primeiras referências documentais o apresentam como escudeiro-mor do rei. Em 1500, a partida para a Índia na qualidade de “escrivão da despesa” na nau de Pedro Álvares Cabral consubstancia o momento de viragem no percurso de Gonçalo Gil Barbosa, que é posteriormente feitor à chegada a Cochim. Volvidos dois anos, é transferido para a feitoria de Cananor, onde contacta diretamente com as redes mercantis locais e investe no trato da Índia. Pelos serviços prestados à Coroa enquanto feitor, o futuro instituidor é elevado a fidalgo e, de seguida, a cavaleiro da Casa Real.

Como em tantos outros casos, e em consonância com a investigação desenvolvida pelo Projeto VINCULUM, também Gonçalo Gil Barbosa e Mécia Mendes de Aguiar capitalizaram o aumento da sua fortuna na consolidação da sua ascensão social através da instituição de um morgadio, cujas condições se encontram dispostas na cédula de testamento datada de 2 de março de 1507.

Acautelado o vazio sucessório provocado pela morte precoce do filho varão mais velho, a herança do morgadio segue na descendência da sua irmã, Maria de Aguiar. Novas informações sobre a posse do morgadio surgem quando este já é administrado pela descendência do primeiro casamento da filha seguinte em linha sucessória, Isabel de Aguiar. Mortos os dois filhos desta em Alcácer-Quibir, os bens passam a ser administrados pela filha Leonor Godinho de Aguiar e o seu marido, Gaspar de Paiva de Magalhães. O casamento do filho do casal, Cosme de Paiva e Vasconcelos, com D. Felipa Bernardes, em inícios do século XVII, concretizou a união dos bens vinculados em 1507 com o morgadio da Foz.

Para conhecer em detalhe este vínculo, visite a página com toda a informação sobre este vínculo do mês. Pode ainda conhecer os outros vínculos entretanto disponibilizados, em: https://www.vinculum.fcsh.unl.pt/entail-of-the-month

Também poderá participar nesta iniciativa ao deixar a sua sugestão para futuros vínculos do mês e outras informações sobre vínculos de que disponha. Para isso poderá entrar em contato com o projeto no endereço eletrónico: vinculum@fcsh.unl.pt.

O projeto VINCULUM conta com o financiamento do European Research Council (ERC) e é liderado por Maria de Lurdes Rosa, Professora da NOVA FCSH e investigadora do Instituto de Estudos Medievais, distinguida com a primeira Consolidator Grant na área da História, atribuída pelo ERC a um investigador português